



Quem leu os contos de João Simões Lopes Neto e/ou o romance "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo viu a fiel descrição dos tipos gaúchos do Rio Grande do Sul de antanho, onde os valores morais - como o "fio do bigode" - eram muito fortes, aliados a qualidades como coragem e lealdade.
Em Piratini, terra de heroísmos, ainda muitos gaúchos copiam esses perfis a exemplo de FLORIBALDO DIAS PERES, uma estampa inigualável no sentido de ser única no bom-humor caracterizado pela arte de contar longos e saborosos causos e de sempre trajar a indumentária típica do tradicional campeiro.
Eu o conheci em 1987, quando deixei meu município natal - Piratini - e passei a residir em Pelotas, no internato do CAVG (Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça), aluno que fui do Curso de Técnico em Agropecuária. Em uma aula prática no Setor de Zootecnia, me deparei com aquele servidor público, pilchado e espontâneo, que eu saberia mais tarde, com alegria, ser meu conterrâneo Floribaldo, para alguns, conhecido como "Baldinho" .
Anos depois, por meio do meu trabalho no rádio, voltei a vê-lo e, então, firmamos uma ótima relação que se estendeu à sua família, principalmente, à filha Rochane Peres e à sua esposa Maria Luíza. Frequentemente vem a Piratini, passar horas telúricas na propriedade rural próxima da Vila do Cancelão.
Fiz uns versos a ele, que faço questão de aqui reproduzir, acompanhados de algumas fotos do mesmo, as quais, sem licença, extraí de seu perfil no Orkut.
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POEMA AO GAÚCHO FLORIBALDO
Eu me bandiei pra Pelotas,
Levando terra nas botas
E a vontade de aprender.
Fui me sentindo reiúno
E me sentei como aluno
Interno no CAVG.
Levando terra nas botas
E a vontade de aprender.
Fui me sentindo reiúno
E me sentei como aluno
Interno no CAVG.
No Curso de Agropecuária,
Uma estampa legendária
Sem livro e sem teoria
Me recebeu com carinho,
E eu não me senti sozinho
A estudar Zootecnia.
Uma estampa legendária
Sem livro e sem teoria
Me recebeu com carinho,
E eu não me senti sozinho
A estudar Zootecnia.
Floribaldo Dias Peres:
Desse nome não esperes
Vaidade e coisa grã-fina.
Filho de Piratini,
Maior gaúcho não vi
Por esta terra sulina!
Desse nome não esperes
Vaidade e coisa grã-fina.
Filho de Piratini,
Maior gaúcho não vi
Por esta terra sulina!
Completa o perfil campeiro
O vício de um bom palheiro
Entre um chimarrão e outro.
Se criou na lida bruta,
É um mestre na recoluta,
Nas lutas de amansar potro.
O vício de um bom palheiro
Entre um chimarrão e outro.
Se criou na lida bruta,
É um mestre na recoluta,
Nas lutas de amansar potro.
Merece sempre o aplauso
Quando conta mais um causo,
Com seu jeitito faceiro.
“Tristeza não paga conta”
Vai dizendo enquanto apronta
Outro arroz-de-carreteiro.
Quando conta mais um causo,
Com seu jeitito faceiro.
“Tristeza não paga conta”
Vai dizendo enquanto apronta
Outro arroz-de-carreteiro.
Seu rancho não tem cadeado
Quando ele vem carregado
De saudade do seu pago.
Em Pelotas e onde ande,
“Seu Floribaldo” é o Rio Grande
Com as feições de um índio-vago!
Quando ele vem carregado
De saudade do seu pago.
Em Pelotas e onde ande,
“Seu Floribaldo” é o Rio Grande
Com as feições de um índio-vago!
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JUAREZ MACHADO DE FARIAS.:

