quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CRÍTICO LITERÁRIO NO JORNAL ZERO HORA EQUIVALE BARBOSA LESSA A ARIANO SUASSUNA





"CANTA A TUA ALDEIA E SERÁS UNIVERSAL."
(Léon Tolstoi, escritor russo, 1828-1910)


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PRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO: JUAREZ MACHADO DE FARIAS.
Nesta quarta-feira,  20 de agosto de 2014, além de música, poesia, roncos de mate e vozes de aves nativas, teremos as seguintes atrações:
1)     homenagem ao município de TAQUARUÇU DO SUL, CRIADO 09 DE MAIO DE 1988;
2)     o texto “SUASSUNA E LESSA” de LUÍS AUGUSTO FISCHER, publicado na página 11 no cardeno PrOA do jornal Zero Hora, edição de 17 de agosto de 2014, que equivale à trajetória do piratiniense Luiz Carlos Barbosa Lessa ao grande escritor brasileiro Ariano Suassuna;
3)     “O CAUSO  DO SEU CIRO” de BARBOSA LESSA, extraído da obra do próprio autor, “HISTÓRIAS PARA SORRIR” (Porto Alegre: Alcance, 2005, 2ª edição, p. 98 a 101);
4)     o poema “MEU CUSCO OVEIRO” de BARBOSA LESSA, extraído da obra do próprio autor, “HISTÓRIAS PARA SORRIR” (Porto Alegre: Alcance, 2005, 2ª edição, p. 51 a 54).
*A FOTOGRAFIA QUE ILUSTRA ESTA POSTAGEM REGISTRA O SAUDOSO BARBOSA LESSA (imagem disponível em http://www.letras.com.br/#!fotos/barbosa-lessa, acesso em 19 de agosto de 2014).

Eis o poema destacado:


“MEU CUSCO OVEIRO
(Autor: Luiz Carlos Barbosa Lessa)

Eu tinha um cusquinho oveiro
quando eu era piazito.
Ele era tão bonito,
tão bonito que nem sei.
Meio moleque e arteiro,
Mas um baita dum campeiro!
Era  cachorro de lei.


Campeiraço e peleador!
Nos dias de campereada
Ajudava a peonada
Como se fosse mais um.
E num pega de cachorro
Não gritava por socorro:
Enfrentava o berzabum!


Onde eu andava, ele junto.
Pra arrastar água, pescar,
Ir ao moinho, passear,
Buscar  as vacas,  em tudo,
Mosquito sempre ao meu lado
num trotezito pulado
...ô guaipeca macanudo!


Bueno, encurtando o causo,
eu com franqueza lhe digo
que o meu mais fiel amigo
nos meus tempos de piazito,
o meu melhor companheiro,
sempre disposto e folheiro,
foi o meu cusco Mosquito.


Lá um belo dia o patrão
Adoeceu de verdade.
Foram buscar na cidade
Um doutor pra lhe salvar.
Foi essa vez a primeira
Que aquele fim de fronteira
Viu um automóvel chegar.

O auto surgiu e eu já estava
Disparando pra mangueira,
Com medo da roncadeira
Daquela coisa danada.
Me assustei com a geringonça
Dando bufido de onça
E grito de mão-pelada.


Mas o Mosquito, esse não!
Achou que era um desrespeito
Vir assim metendo os peito,
Bem  na casa do patrão.
Era  assim que se ia entrando?!
E já se botou, acuando,
pra cima do animalão.

Mas o auto não parou.
O cusco espetou o rabo
E, já espumando de brabo,
Se atirou para a peleia.
Nem le conto... Foi só um grito
E lá ficou o Mosquito
Esmigalhado na poeira.

Chorei muito, amigo velho.
Eu perdera o meu Mosquito,
Aquele  cusco bonito,
Tão  bonito que nem sei!
Depois, peguei duma enxada
e, desviando da estrada,
abri uma cova e o enterrei.

Quaje botei uma cruz
Ali  donde ele ficou...
Mas  um peão me alembrou
que cruz é só pras pessoa.
(Ele bem que merecia!...
Tinha muito mais valia
Que  muito defunto à-toa.)

Já que cruz não tava certo,
Fui  até uma coronilha,
Fiz  uma boa forquilha
E  voltei pra onde ele estava.
Finquei no chão com firmeza
Pra que ficasse em defesa
Do cusco que eu tanto amava.

E a forquilha ainda lá está
Lembrando o instante de horror
Em que chegou o precursor
Da tal Civilização
- Que um dia invadiu meu pago
E chegou fazendo estrago,
Entristecendo o rincão...”

NESTA QUINTA-FEIRA, ACOMPANHE PELA NATIVA FM UM POEMA DE JAYME CAETANO BRAUN!!!

"CANTA A TUA ALDEIA E SERÁS UNIVERSAL."

(Léon Tolstoi, escritor russo, 1828-1910)



OUÇA O PROGRAMA “CANTO DOS LIVRES”, de segunda-feira à sexta-feira, das 05h às 07h (neste horário somente durante a propaganda política gratuita pelo rádio até a eleição de 1º turno), pela RÁDIO NATIVA FM – FM 93.9 – www.nativafmpiratini.com.

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PRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO: JUAREZ MACHADO DE FARIAS.

Nesta quinta-feira, 21 de agosto de 2014, além de música, poesia, roncos de mate e vozes de aves nativas, teremos as seguintes atrações:

1)     homenagem ao município de SÃO JOSÉ DO HERVAL, CRIADO A 09 DE MAIO DE 1988;

2)     o texto “ANTES DOS SERVIÇOS DE METEOROLOGIA” de CARLOS URBIM, extraído da obra “RIO GRANDE DO SUL – Um Século de História” de CARLOS URBIM, LUCIA PORTO, MAGDA ACHUTTI e EMILIANO URBIM (Porto Alegre: Mercado Aberto, 1999, p. 157 a 158);

3)     o causo inédito “AS RESPOSTAS DO SEU FACUNDO” de JUAREZ MACHADO DE FARIAS;

4)     o poema “MOMENTO SÉRIO” de JAYME CAETANO BRAUN, publicado na obra do próprio autor, "BRASIL GRANDE DO SUL", presenteado a mim por RODRIGO KLASSMAN DAUDT (Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2002,p. 107 a 110).

*A FOTOGRAFIA QUE ILUSTRA ESTA POSTAGEM REGISTRA O SAUDOSO  JAYME CAETANO BRAUN (imagem disponível em http://linhacampeira.com/tag/jayme-caetano-braun/, acesso em 20 de agosto de 2014).



Eis o poema destacado:



“MOMENTO SÉRIO

(Autor: JAYME CAETANO BRAUN)

Levantam-se na paisagem

desta minh'alma campeira

as crinas da cabeleira

daquela indiada selvagem

que misturava coragem

com rasgos de fidalguia,

entremeando ventania,

com terra e com sacrifício,

- peleadores por ofício,

porque a vergonha exigia.



Olho no espaço e vejo,

na brasa que o céu destapa,

a minha terra farrapa

fruto do nosso falquejo,

- o berço altivo do andejo

que encarava o sol de frente;

a gente da minha gente,

a cepa - o tronco a raiz,

posta perante o País,

na condição de indigente!



Velhos sinais de perigo,

ou - melhor dito - de luto,

até parece que escuto

trovoadas de um tempo antigo,

quando o taura - ao desabrigo,

com sangue à meia costela,

calçava o pé na cancela,

neste garrão de querência,

pra manter a permanência

da Pátria Verde Amarela!



Chego até a escutar os gritos

de soldados e paisanos,

de índios e castelhanos,

surgidos dos infinitos,

cumprindo os sagrados ritos

de guardar - linha e barranca,

legendas que não se arranca,

dos que queriam viver,

mas preferiam morrer

a erguer a bandeira branca!



Talvez que alguns te reneguem,

chão dos meus antepassados,

mas que importam renegados,

eles e aqueles que os seguem?

Que se avacalhem - se entreguem,

haverá sempre um turuna,

haverá um garrão de tuna,

com fibra e com coração,

para dizer que este chão

não é uma terra reiúna!



Aqueles que não entendem

nossa base de estrutura,

ou não leram a escritura

de onde os gaúchos descendem,

os que compram e que vendem

sem respeitar a legenda,

os do encobre e do remenda,

do esbulho e do desmande,

não sabem que este Rio Grande

não é uma sucata à venda!”

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

HOMENAGEM À MEMÓRIA DO RADIALISTA GLÊNIO REIS NA NATIVA FM DE PIRATINI!!!



"CANTA A TUA ALDEIA E SERÁS UNIVERSAL."

(Léon Tolstoi, escritor russo, 1828-1910)



OUÇA O PROGRAMA “CANTO DOS LIVRES”, de segunda-feira à sexta-feira, das 05h às 07h (neste horário somente durante a propaganda política gratuita pelo rádio até a eleição de 1º turno), pela RÁDIO NATIVA FM – FM 93.9 – www.nativafmpiratini.com.

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PRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO: JUAREZ MACHADO DE FARIAS.

Nesta terça-feira, 19 de agosto de 2014, além de música, poesia, roncos de mate e vozes de aves nativas, teremos as seguintes atrações:

1)     homenagem ao município de FAXINALZINHO, CRIADO 12 DE MAIO DE 1988;

2)     homenagem à memória do RADIALISTA GLÊNIO REIS, falecido em 15 de agosto de 2014, nascido a 24 de outubro de 1927, portanto com 86 anos de idade;

3)     o causo  “O GAÚCHO RECRUTA” de ELTON BARBOSA, extraído da obra do próprio autor, “NA HORA DO MATE – Contos Gauchescos” (Pelotas: Gráfica Princesa, 2008, p. 23 a 24);

4)     o poema inédito “O SOL DA POESIA” de JUAREZ MACHADO DE FARIAS.


*A FOTOGRAFIA QUE ILUSTRA ESTA POSTAGEM REGISTRA O RADIALISTA GLÊNIO REIS ( imagem disponível em http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/ouca-alguns-dos-momentos-marcantes-de-glenio-reis-no-radio-112535.html, acesso em 18 de agosto de 2014).



Eis o poema destacado:


“O SOL DA POESIA
(Autor: JUAREZ MACHADO DE FARIAS)

Se o sol subir o cerro e não voltar
E se cansar de repetir o dia,
Será que morrerá a alegria,
Sem outro brilho igual pra ensolarar?

Mas haverá, talvez, na noite imensa,
Nos homens e mulheres em união
A luz que está no cérebro que pensa
Em repartir aos outros seu clarão.

E se morrer a flor sem fotossíntese
E as achas de acácia não queimarem,
O frio maior será nos solitários,
Nos braços duros que não se abraçarem.

Se o sol, enfim, tornar-se renitente
E nunca mais redesenhar o dia,
Ainda assim a luz da Poesia
Irá reger a Terra, eternamente.

Se o sol subir o cerro e não voltar;
Se o sol, enfim, tornar-se renitente,
Ainda assim o sonho vai brilhar
Nos olhos infantis de um inocente...”