sábado, 7 de novembro de 2009

UM GAÚCHO AUTÊNTICO




















Quem leu os contos de João Simões Lopes Neto e/ou o romance "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo viu a fiel descrição dos tipos gaúchos do Rio Grande do Sul de antanho, onde os valores morais - como o "fio do bigode" - eram muito fortes, aliados a qualidades como coragem e lealdade.




Em Piratini, terra de heroísmos, ainda muitos gaúchos copiam esses perfis a exemplo de FLORIBALDO DIAS PERES, uma estampa inigualável no sentido de ser única no bom-humor caracterizado pela arte de contar longos e saborosos causos e de sempre trajar a indumentária típica do tradicional campeiro.




Eu o conheci em 1987, quando deixei meu município natal - Piratini - e passei a residir em Pelotas, no internato do CAVG (Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça), aluno que fui do Curso de Técnico em Agropecuária. Em uma aula prática no Setor de Zootecnia, me deparei com aquele servidor público, pilchado e espontâneo, que eu saberia mais tarde, com alegria, ser meu conterrâneo Floribaldo, para alguns, conhecido como "Baldinho" .


Anos depois, por meio do meu trabalho no rádio, voltei a vê-lo e, então, firmamos uma ótima relação que se estendeu à sua família, principalmente, à filha Rochane Peres e à sua esposa Maria Luíza. Frequentemente vem a Piratini, passar horas telúricas na propriedade rural próxima da Vila do Cancelão.


Fiz uns versos a ele, que faço questão de aqui reproduzir, acompanhados de algumas fotos do mesmo, as quais, sem licença, extraí de seu perfil no Orkut.




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POEMA AO GAÚCHO FLORIBALDO



Eu me bandiei pra Pelotas,
Levando terra nas botas
E a vontade de aprender.
Fui me sentindo reiúno
E me sentei como aluno
Interno no CAVG.



No Curso de Agropecuária,
Uma estampa legendária
Sem livro e sem teoria
Me recebeu com carinho,
E eu não me senti sozinho
A estudar Zootecnia.



Floribaldo Dias Peres:
Desse nome não esperes
Vaidade e coisa grã-fina.
Filho de Piratini,
Maior gaúcho não vi
Por esta terra sulina!



Completa o perfil campeiro
O vício de um bom palheiro
Entre um chimarrão e outro.
Se criou na lida bruta,
É um mestre na recoluta,
Nas lutas de amansar potro.



Merece sempre o aplauso
Quando conta mais um causo,
Com seu jeitito faceiro.
“Tristeza não paga conta”
Vai dizendo enquanto apronta
Outro arroz-de-carreteiro.



Seu rancho não tem cadeado
Quando ele vem carregado
De saudade do seu pago.
Em Pelotas e onde ande,
“Seu Floribaldo” é o Rio Grande
Com as feições de um índio-vago!


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JUAREZ MACHADO DE FARIAS.:

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ANDARILHO E A ESTRADA


O poema abaixo está gravado no CD da 2ª Sesmaria da Poesia Gaúcha do município de Osório. A interpretação e a autoria são minhas, com acompanhamento ao violão do grande Carlos Catuípe.



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Raimundo, lembrou Drummond,
É nome sonoro e bom
A quem tivesse o profundo
Gosto de virar o mundo,
Andando em vasto caminho.
Não sei se homem sozinho
Mas que fosse viajante,
Tendo o sabor do distante
Preso na língua e no olhar.

Raimundo, se fosse taura,
Mal o dia abrisse a aura,
Encilharia o tordilho,
Ordenando aos que ficassem
Que não fossem, nem chorassem
Impedindo o seu destino
De Raimundo e andarilho.

Diria: “me chamo trilho,
Nasci talhado pros ventos,
O mundo está no meu nome,
Tenho fome de caminhos.
Parado, não sinto o vinho,
Parece que nada passa.
Quero a roda que não cessa
Feito o dia que começa,
Quero dizer a que vim,
Sou Raimundo e vejo o mundo
Inscrito dentro de mim.”

Raimundo, então, sumiria,
Seria um ponto na estrada
E uma lágrima prateada
Sobre os olhos da família.
Seria na mesa grande
Uma cadeira vazia,
Talher e prato sobrando.

Mas pouco a pouco, Raimundo,
No peito de quem chorara
Seria mágoa sarando.
Afinal, quem tem o mundo
Saltando dentro do nome
Tem a grande, infinda fome,
De trocar céu e pousada.

Quem tem nome de Raimundo,
Nasceu para ser estrada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A LIÇÃO DO PÁSSARO


Eu e Gilberto Isquierdo a cantar na oficina músico-poética "Paradouro do Minuano", Fazenda Redomona de Frutuoso Araújo, 5º Distrito de Piratini, no mês de maio de 2009. Um rico momento de onde nascem versos como este, de minha autoria:
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Vem pousar no “fio da luz”
Lindo pássaro cantor,
Alma de asas, casa em flor
Que viaja e o céu traduz,
A liberdade por ninho,
A pátria por céu azul.

Vem cantar, dourar o ocaso,
Quem nasceu dono do espaço,
Quem é feliz por si mesmo,
Chora ao ver prisões a esmo
E do canto faz protesto:
Se a liberdade termina,
Falta luz e falta o resto.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

CONCHAVOS E INCOERÊNCIAS

Era janeiro de 2005. Eu caminhava pelos corredores da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Participaria de um encontro de formação de vereadores e gestores do meu partido.
Veio-me, então, à mente este pensamento:

“A política é o latifúndio das incoerências.”

Nunca mais esqueci estas palavras. Talvez porque haja realmente um comportamento incoerente em tantos políticos o que, não raras vezes, é lembrado – com reprovação – por tantos cidadãos e cidadãs brasileiros, apesar de se dizer, também, que o Brasil não tem memória, o que seria um incentivo às incoerências de tais mandatários.
Outra frase que jamais esqueci, dita por um professor de Direito Constitucional da querida Universidade Federal de Pelotas, e que desconheço sua autoria, é a seguinte:

“Todo o poder é precário.”

No entanto, o que se vê, ainda, nas variadas e muitas instâncias públicas dos legislativos e executivos na geografia de nosso país são muitos conchavos para se galgar o poder – a custo de sacrifícios, dentre os quais a incoerência é a mais sacrificada.
Mas de que vale saber que o fulano aquele está com mais preferência dentre o eleitorado para ser o próximo prefeito, se essa mera ótica de poder não for transcendida, no sentido de se buscar uma evolução sócio-política da sociedade?
Dentre os vários aspectos que devem ser medidos para requisito essencial de um prefeito ou de um presidente do poder legislativo é a sua capacidade de diálogo com todos os segmentos sociais, mesmo que não haja sintonia ideológica ou de práxis nessa relação – já que habitamos um Estado Democrático de Direito, onde as diferenças de todos os matizes afloram, ou devem aflorar, saudavelmente.
Enfim, quaisquer que sejam os nomes a ocupar tais espaços, que tenhamos pessoas preocupadas em incentivar a participação popular, promovendo melhorias – tanto no funcionamento burocrático das instituições, quanto na aproximação das mesmas com os anseios da população, seu real destinatário.
Que tais políticos atentem para a precariedade do poder, afinal – ainda que se afigure duradouro, no tempo – ele será, um dia, transmitido e exercido por outrem.
Que não se vislumbre apenas prestígio pessoal e valores monetários, porque tais substantivos também são fugazes.
Que em vez de conchavos - sempre obscuros e duvidosos de seus conteúdos! - tenhamos, sim, ACORDOS com claras cláusulas visando a um status democrático dos poderes constituídos, pois é o povo quem paga - com seu suor - prefeitos, vereadores e toda a máquina estatal do Município, Estado e União -, e um dia, pelo exercício do voto, poderá e deverá cobrar pelas incoerências praticadas dos elegidos.


JUAREZ MACHADO DE FARIAS
Vereador do PSB de Piratini

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

HOMENAGEM DE LUZ

Na sexta-feira, dia 23 de outubro de 2009, às 21 horas, tive o prazer de receber das mãos da senhora LOIVA MASTRANTONIO, a homenagem dos membros do Grupo Espírita "Caminhos da Luz". Referida entidade, sem fins lucrativos, constituiu-se no ano de 2008 e já tem seu estatuto aprovado. O atendimento ao público tem sido surpreendente, chegando a alcançar cem pessoas por sessão pública, o que muito colabora para que o sistema de saúde municipal seja desafogado de muitos casos, pois, seguramente, quando alguém busca atendimento espiritual e se sente harmonizado, também o seu corpo físico tende a atingir um estado de equilíbrio, de bem-estar.
Na verdade, o meu trabalho de colaboração foi o de analisar e assinar como advogado o Estatuto e a Ata de Fundação para que tão importante entidade ganhasse personalidade jurídica.
De minha parte, agradeço a bela placa que recebi e parabenizo a todos os seus trabalhadores e trabalhadoras, verdadeiros abnegados em prol de consolar as pessoas que buscam o trabalho dos bons espíritos.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A SAÚDE E O PRÉ-SAL


Abaixo, o artigo do médico, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Cristal e São Lourenço do Sul, senhor Beto Grill, publicado no jornal "Zero Hora" de quarta-feira, dia 21 de outubro, com enfoque na saúde pública.
Na foto ao lado, em 19/09/2009, à minha direita, Beto Grill e seu filho, o ex-vereador João Pedro Grill, durante a Semana Farroupilha realizada no município de Cristal onde me apresentei e realizei breve exposição sobre a obra de Barbosa Lessa.
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O caos na saúde pública é assunto recorrente e dolorido. Desta vez, é o Hospital Conceição que expõe as suas mazelas, a sua incompetência para fazer frente à demanda. Infelizmente, não esperem solução com a manutenção do atual modelo.A verdade é que somente teremos saúde digna se existir apenas um sistema, público e universal, de modo que todos os brasileiros, pobres, ricos, trabalhadores, empresários, políticos ou não, entrem na mesma fila. Propago uma mobilização nacional para que, pelo convencimento, se mude a Constituição com a abolição da saúde privada.Ou, então, uma decisão política de priorizar a vida: que os governos garantissem um orçamento de R$ 300 bilhões anuais ? 10% do PIB. Na medida em que o SUS avance, atendendo com decência as atuais gerações, desaparecerá o mercado para negociar saúde. Para tanto, a concepção do SUS está correta e os seus mecanismos de gestão em constante aperfeiçoamento, em tese, são suficientes para efetuar e fiscalizar as ações de saúde.Falta, acima de tudo, financiamento para executar políticas plenas, humanas, em 190 milhões de brasileiros. E isto, no presente modelo, não acontecerá. Existe um teto na evolução do SUS, que preserva o filão com valor comercial, a média complexidade, nas mãos da iniciativa privada. Ou muda a lei, ou, numa disposição de governo, se encaminha a solução: triplicarem-se os gastos com saúde pública.Quando o presidente e os congressistas fizerem os seus check-ups nos mesmos serviços que o usuários do SUS, a saúde melhorará. As universidades aprimorarão a qualidade do ensino. A remuneração dos médicos será adequada. Os exames de alta tecnologia, frutos da inteligência da humanidade, estarão à disposição de todos e não, primeiro, e bem antes, dos abastados. Os hospitais públicos serão equipados. A prevenção avançará, promovendo a saúde desta geração, ao contrário de ser um prenúncio de saúde para o futuro. E os que pagam impostos e querem viver mais e melhor? Vão continuar aceitando que quem tem dinheiro possui mais oportunidades e meios, na medida e no tempo hábil, de preservar ou recuperar a sua saúde? Não! Têm legitimidade de usufruir, com equidade, este direito fundamental, já.Embora mantendo os dois sistemas, mas aperfeiçoando o SUS, o sistema privado não se sustenta. Extingue-se por si.Consoante, devem-se apontar as fontes de financiamento. A tese, anterior ao pré-sal, indica a reserva de um quinhão maior nas riquezas a serem descobertas e nos avanços tecnológicos. Sustenta a abertura de cassinos para subsidiar este campo. Advoga uma CSS dos mais ricos que não pagariam os planos de saúde e contribuiriam de forma diferenciada com o sistema.Agora, o pré-sal é a certeza de um porvir promissor para o Brasil. Que seja, antes, uma garantia para a nossa geração. Impõe-se uma campanha objetivando estabelecer prioridade e uma parcela substancial dos recursos advindos do pré-sal para a saúde.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O POETA DE ALEGRETE, QUE GANHOU O UNIVERSO







Nasceu em Alegrete mas sua linguagem é universal, o que o faz digno de ganhar o mundo. Se não foi aceito na Academia Brasileira de Letras para ser "imortal" oficialmente, sua imortalidade é atestada, de modo inegável por crianças, jovens, literatos de todos os matizes que, neste Século XXI e em outros tempos futuros, que recitam e enfocam seus belos poemas carregados de ironia e lirismo.


Na Casa de Cultura MARIO QUINTANA, em Porto Alegre, sua rica personalidade é reverenciada. Ali foi o Hotel Majestic, sua residência por muitos anos. O quarto do poeta é algo mágico: protegido por um vidro, pode-se vislumbrar seu interior, e a ideia que se tem é que ele ali ainda mora pois a cama está desarrumada como se o grande escritor recém tivesse acordado para o nascedouro de mais um poema.

No endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana podem ser encontrados dados importantes acerca de MARIO QUINTANA, como se vê a seguir:

Obra poética

A Rua dos Cataventos - Porto Alegre, Editora do Globo, 1940
Canções - Porto Alegre, Editora do Globo, 1946
Sapato florido - Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
O aprendiz de feiticeiro - Porto Alegre, Editora Fronteira, 1950
Espelho mágico - Porto Alegre, Editora do Globo, 1951
Inéditos e esparsos - Alegrete, Cadernos do Extremo Sul, 1953
Poesias - Porto Alegre, Editora do Globo, 1962
Caderno H - Porto Alegre, Editora do Globo, 1973
Apontamentos de história sobrenatural - Porto Alegre, Editora do Globo / Instituto Estadual do Livro, 1976
Quintanares- Porto Alegre, Editora do Globo, 1976
A vaca e o hipogrifo - Porto Alegre, Garatuja, 1977
Esconderijos do tempo - Porto Alegre, L&PM, 1980
Baú de espantos - Porto Alegre - Editora do Globo, 1986
Preparativos de viagem - Rio de Janeiro - Editora Globo, 1987
Da preguiça como método de trabalho - Rio de Janeiro, Editora Globo, 1987
Porta giratória - São Paulo, Editora Globo, 1988
A cor do invisível - São Paulo, Editora Globo, 1989
Velório sem defunto - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990
Água - Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2001
Livros infantis
O batalhão das letras - Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
Pé de pilão - Petrópolis, Editora Vozes, 1968
Lili inventa o mundo - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1983
Nariz de vidro - São Paulo, Editora Moderna, 1984
O sapo amarelo - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1984
Sapato furado - São Paulo, FTD Editora, 1994
Antologias
Antologia poética - Rio de Janeiro, Ed. do Autor, 1966
Prosa & verso - Porto Alegre, Editora do Globo, 1978
Chew me up Slowly (Caderno H) - Porto Alegre, Editora do Globo / Riocell, 1978
Na volta da esquina - Porto Alegre, L&PM, 1979
Objetos perdidos y otros poemas - Buenos Aires, Calicanto, 1979
Nova antologia poética - Rio de Janeiro, Codecri, 1981
Literatura comentada - Editora Abril, Seleção e Organização Regina Zilberman, 1982
Os melhores poemas de Mário Quintana (seleção e introdução de Fausto Cunha)- São Paulo, Editora Global, 1983
Primavera cruza o rio - Porto Alegre, Editora do Globo, 1985
80 anos de poesia - São Paulo, Editora Globo, 1986
Trinta poemas - Porto Alegre, Coordenação do Livro e Literatura da SMC, 1990
Ora bolas - Porto Alegre, Artes e Ofícios, 1994
Antologia poética - Porto Alegre, L&PM, 1997
Mario Quintana, poesia completa - Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005
Traduções
Dentre os diversos livros que traduziu para a Livraria do Globo (Porto Alegre) estão alguns volumes do Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (talvez seu trabalho de tradução mais reconhecido até hoje), Honoré de Balzac, Voltaire, Virginia Woolf, Graham Greene, Giovanni Papini e Charles Morgan. Além disso, estima-se que Quintana tenha traduzido um sem-número de histórias românticas e contos policiais, sem receber créditos por isso - uma prática comum à época em que atuou na Globo, de 1934 a 1955
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