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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A VIDA DE UM HOMEM EMOTIVO

               Esta fotografia foi copiada de seu álbum no Orkut e denota a preocupação de Ronaldo com sua vida profissional: ele está na cozinha de sua casa e lê uma nota de expediente expedida pelo Poder Judiciário, ou seja, nem mesmo fora do trabalho, desligava-se do peso de suas obrigações.  
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   Este texto tem as letras vermelhas porque são a cor de seu time, o Internacional -  cuja bandeira cobriu seu corpo durante o velório.
   Dia 23 de dezembro de 2011, a dois dias da data do seu aniversário, Luís Ronaldo da Silva Barbosa faleceu, repentinamente, causando grande comoção a seus familiares, amigos e conhecidos.
  "Doutor Ronaldo" como era conhecido, nasceu a 26 de dezembro de 1960, filho de José Luís Coelho Barbosa  e de Nilza Henzel Barbosa. Com sua morte, deixou a viúva, a Professora Dalva de Oliveira Barbosa, a enteada Katiane e os filhos desta – Marina, Gabriel e Pedro-, porém, respectivamente, filha e netos espirituais, o mesmo em se tratando da enteada Josiane, in memoriam, pelos quais nutria extremado amor, o que era público e notório.
      Engajado plenamente na vida social, advogado dos mais ilustres de nossa comarca, desde o ano de 2001, atuava como Assessor Jurídico da Prefeitura de Piratini, sempre preocupado com o correto andamento do que lhe era atribuído, profissionalmente.
     Jamais se negou de participar de ações de benemerência, demonstrando desprendimento para assumir cargos como Presidente da Sociedade Recreio Piratiniense e do Lions Club. Era, também, membro do Conselho Fiscal do Centro Espírita Amigos de Jesus e da Loja Maçônica Rio Branco III nº 24 onde exerceu vários cargos, tendo sido iniciado neste ano de 2011 ao 4º Grau Filosófico em Pelotas.
    Fui seu colega como Assessor Jurídico na Prefeitura de Piratini, de 2002 a 2004, e com ele muito aprendi. Tinha a serenidade dos sábios para tratar dos mais intrincados problemas.
   Em muitas audiências e em processos judiciais no Foro de Piratini, atuei no polo oposto a ele, porém, sempre denotou lisura de caráter, jamais se utilizando de expedientes que não condizem com o previsto no Estatuto da Advocacia. Ao contrário: recordo sua sensibilidade humana quando, em certa ocasião, em que eu representava uma senhora que tinha a seu lado, na sala de audiências, a filha pequena, e Dr. Ronaldo, representava o ex-companheiro de minha cliente,  vi, em certo momento da solenidade, o já saudoso causídico com os olhos plenos de lágrimas ao contemplar a criança que, alheia a tudo, ali estava sem sequer entender o que se desenrolava...
  Ronaldo era um emotivo: quantas vezes, ao escutar um relato, uma apresentação artística, seus olhos muito verdes ficavam úmidos e, se fosse o caso, não tinha vergonha de chorar. 
  Este texto não pretende ser um obituário ou um necrológio, tampouco uma biografia onde, aí, sim, caberiam outros aspectos como o de sua infância e a gratidão que sempre demonstrou à família que o adotou. O objetivo, agora, é, simplesmente, ressaltar a perda inestimável que nublou ainda mais a manhã de 23 de dezembro e que fechou, justificadamente, naquela data, as portas da Prefeitura de Piratini, num sinal de respeito a seu desenlace deste mundo físico.  
   Tenho certeza que a sabedoria que amealhou em seus estudos e em seu trabalho, o convívio com a família consanguínea e com a que adotou o fizeram, certamente, um espírito que galgou muitos degraus na escada da evolução humana.
    Assim, rogo a Deus que o ilumine, bem como a seus familiares neste momento de dor pois sabemos que se este sofrimento é imenso, maior ainda é a certeza de que seu espírito já está sob o abrigo dos Irmãos na espiritualidade.

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