
Agora guardo distância,
muito mais do que fiz antes,
do queixo da arrogância,
mãe dos tantos arrogantes.
A distância que prescrevo
não é capricho inventado,
é remédio de longevo
que ri do tempo escoado.
Se Deus me der vida longa,
quero ser velho palhaço
assobiando uma milonga,
com a humildade pelo braço.
Sem nariz algum erguido,
quero andar sempre distante
do sujeito empedernido
que traduz o arrogante.
Sua palavra é perfeita,
nem um bom dia se ouve,
não se agacha, nem se deita,
jamais colhe um pé de couve.
Erguido sobre dois pés,
caminha acima do povo,
chama os pobres de ralés,
só o que fala é o novo.
Quero ser como esses vasos
de flores muito singelas
que veem auroras e ocasos
pelas mais simples janelas.
Quero rir dos arrogantes
pois chegam a ser simplórios:
ainda são ignorantes
da lição que há nos velórios
Onde o Rei, Mestre, Doutor,
a todos é nivelado,
o corpo é murcha flor,
seu nome ali é passado.
Piratini, 18 de janeiro de 2012.
JUAREZ MACHADO DE FARIAS
http://www.juarezmachadodefarias.blogspot.com/
0 comentários:
Postar um comentário